˙˙·٠•● eu sou a lenda ☠ eu (r)existo ●•٠·˙˙™ - UM POUCO MAIS!

23 de fevereiro de 2008

the joe phillips colection

Joe Phillips

Catunista americano, Joe é um dos maiores nomes do cartum contemporâneo.
Retratando o mundo gay com poesia, ele consegue transformar momentos cotidianos
em expressões de pura leveza e beleza.

Para conferir todo o portifólio de Joe... www.joephillips.com

Aki... uma pequena mas bela amostra.




















LINDO NÉ!
Flw


24 de janeiro de 2008

Muito mais que um simples ídolo pop!

Elton John

Nome completo: Reginald Kenneth Dwight
Data de nascimento: 25 de Março de 1947 (60 anos)
País: Reino Unido
Origem(ns): Londres, Inglaterra
Gênero(s): Pop, pop Rock, jazz e blues
Período em atividade: 1969 - atualmente


Elton Hercules John, nascido Reginald Kenneth Dwight, (Grande Londres, 25 de março de 1947) é um dos mais importantes cantores, compositores e músicos do Reino Unido.
Biografia
Seu nome artistico advem de dois integrantes de sua antiga banda, bluesology Elton Dean (saxofonista) e Long John Baldry (lider da banda).
Nascido no subúrbio de Pinner, Middlesex, estudou na Pinner County Grammar School e ganhou uma bolsa escolar aos onze anos de idade para a Royal Academy of Music.
A carreira de Elton John atravessa a quarta década de ininterrupto sucesso. Nos anos setenta, época que muitos consideram como sendo o auge de sua carreira (foi considerado o segundo artista mais importante dessa década, superado apenas por Paul McCartney), já podia ser considerado como um dos maiores astros pop do planeta.
Ainda na adolescência, integrou o grupo de blues Bluesology. Em 1967 estabeleceu parceria com o letrista Bernie Taupin, com o qual lançou grande parte de sua obra musical, mantendo-se a parceira até os dias de hoje.
Apesar de ter lançado o disco Empty Sky em 1969, que não trazia em seu repertório algum imediato sucesso , a guinada de sua carreira ocorreu com o lançamento do disco Elton John, de 1970, que o lançou como cantor de sucesso nos Estados Unidos e trouxe ao público um de seus maiores sucessos, a canção "Your Song".
Dentre seus discos de maior sucesso, destacam-se Goodbye Yellow Brick Road (1973) e Captain Fantastic and The Brown Dirt Cowboy, este último de 1975. São também os seus discos mais bem colocados no ranking de melhores discos do século XX elaborado pela revista Rolling Stone.
Além de Bernie Taupin, outros letristas trabalharam com Elton, entre os quais Gary Osborne e Tim Rice. Enquanto a parceria com o primeiro está presente nos discos A Single Man, 21 at 33, The Fox, Jump Up! e Leather Jackets, o trabalho com o segundo, iniciada com a música Legal Boys, de 1982, resultou anos depois na soundtrack dos filmes O Rei Leão (1994), com a qual Elton ganhou o Oscar de melhor trilha sonora, e O Caminho Para Eldorado (2001).
É o único artista que até hoje conseguiu obter seis lançamentos consecutivos no primeiro lugar da Billboard, sendo detentor, ademais, do recorde de single de maior vendagem da história, com a adaptação feita em 1997 da canção Candle in the Wind, em homenagem à amiga pessoal, Princesa Diana, totalizando um total de quarenta milhões de cópias vendidas.
Elton John manteve-se em evidência na década de 1980, época em que lançou um álbum inédito por ano, levando ao público hits como I Guess That's Why They Call It The Blues, I'm Still Standing, Sacrifice, Nikita e diversos outros. Apesar de ter declarado sua bissexualidade em 1976, em entrevista à revista Rolling Stone, casou-se com a engenheira de som Renate Blauel em 1984, tendo a união se dissolvido em 1988. Em 2005 celebrou contrato de parceria civil com David Furnish, com o qual vive desde meados da década de 1990.
Embora tenha diminuído o ritmo de lançamento de novos discos, Elton John permaneceu em evidência na década de 1990, lançando canções de sucesso como Can You Feel The Love Tonight, The One, Something About The Way You Look Tonight, Blessed. É considerado um dos maiores e mais influentes artistas da atualidade, lançando novos trabalhos regularmente. Nos últimos anos compôs os musicais Billy Eliot e Lestat, que ficaram em cartaz na Broadway.
É filantropo: participou do Live Aid de 1985, ao lado de artistas como David Bowie, Sting, Phil Collins, entre outros, além de manter uma fundação para combate da Aids, tida como a maior do mundo no gênero, criada em 1992.No mesmo ano,se apresentou junto com o Guns N' Roses no Video Music Awards 92.
Elton sempre teve o sonho de ser dono de uma equipe de futebol pelo qual torcia, o Watford FC, tendo realizado esse projeto em 1976, quando então o clube figurava na série B da Liga Inglesa. Injetou recursos para contratações, levando a equipa até a primeira divisão. Vendeu-a em 1987. Também ajuda um clube de futebol da Austrália. É dono de um restaurante em Hollywood.
Em 1992, Elton cantou com o Queen a música "The Show Must Go On" no Freddie Mercury Tribute Concert. Ele cantou neste mesmo concerto em homenagem ao Freddie Mercury, a música Bohemian Rhapsody, junto com Axl Rose e os integrantes restantes do Queen.
Em 2007, Elton John comemorou o seu aniversário de 60 anos realizando o seu sexagésimo show no Madison Square Garden, em Nova York. O discurso de abertura do espetáculo foi feito pelo ex-presidente dos Estados Unidos da América, Bill Clinton.
Discografia
1969 Empty Sky
1970 Elton John (álbum)
1971 Tumbleweed Connection
1971 Friends
1971 11-17-70
1971 Madman Across The Water
1972 Honky Château
1973 Don't Shoot Me I'm Only The Piano Player
1973 Goodbye Yellow Brick Road
1974 Caribou
1974 Elton John's Greatest Hits Volume I
1975 Captain Fantastic and the Brown Dirt Cowboy
1975 Rock Of The Westies
1976 Here and There
1976 Blue Moves
1977 Elton John's Greatest Hits - Volume II
1978 A Single Man
1979 Victim of Love
1980 Lady Samantha
1980 21 At 33
1981 The Fox
1982 Jump Up!
1983 Too Low for Zero
1984 Breaking Hearts
1985 Ice on Fire
1986 Leather Jackets
1987 Live in Australia
1987 Greatest Hits Vol. 3 (1979-1986)
1988 Reg Strikes Back
1989 The Complete Thom Bell Sessions
1989 Sleeping With the Past
1990 The Very Best of Elton John
1990 To Be Continued... (Box Set)
1992 The One 1992 Rare Masters
1993 Duets
1993 Greatest Hits 1976-1986
1994 The Lion King Soundtrack
1994 Reg Dwight Piano Goes Pop
1995 Made in England
1995 Love Songs
1997 The Big Picture
1999 Elton John and Tim Rice's Aida
2000 One Night Only
2000 The Road To El Dorado
2001 Songs from the West Coast
2002 The Greatest Hits 1970-2002
2004 Peachtree Road
2006 The Captain and the Kid
2007 Rocket Man - The Definitive Hits

No Brasil
A única vez que Elton se apresentou no Brasil foi durante a turnê do álbum Made In England, em 1995, ocasião em que se apresentou tanto em São Paulo (9 de novembro) quanto no Rio de Janeiro (11 de novembro). Sua vinda em 1992, pela turnê do álbum The One, foi cancelada após a abertura das vendas dos ingressos. Após sucessivos cancelamentos de um eventual show a ser realizado gratuitamente na Praia de Copacabana, Rio de Janeiro, sua vinda é esperada para março de 2008, data divulgada pela imprensa. Elton John ia fazer o show da virada do ano em 2006 aqui no Brasil mais foi cancelado e no seu lugar que fez o show da virada do ano foi a Rita Lee.

3 de janeiro de 2008

Para Dinho... sobre meu último post...

Meu primeiro post de 2008 é um agradecimento...
Serve como resposta para um visitante que comentou a matéria anterior que publiquei...

"Caro Dinho...
Você certamente é muito observador. Tenho certeza que achou interessante os artigos que postei. Pois bem... Seus conhecidos podem sim estar inseridos nos quadros descritos pelos cientistas citados. Sendo homens, poderiam ser "Peter Pan" sim.
Mas o fato de trabalharem na mesma empresa que vc, já os tiram dos quadros patológicos estudados.
A síndrome de Peter Pan refere se em abrangência a homens de várias faixas etárias. O fato de terem mais de 40 anos; como disse; ou de não crescerem, não quer dizer que tenham uma das patologias.
É sabido que nos dias de hoje, a corrida por uma aparência saudável e jovem atrai não só as mulheres.
Homens; principalmente os da faixa entre 35 e 45 anos; cada vez mais desfrutam dos mecanismos de beleza pra manter a forma ou aparência jovial. Isso não qualifica como portador da síndrome, ainda mais se forem gays.
O cientista e escritor americano ,dono da tese, trata de indivíduos dependentes sócio-psicológicos, que não formam uma identidade clara nem um espaço real de independência financeira. O fato de seus conhecidos trabalharem já os tiram disso.
Enfim, como tenho certeza que você se identificou com a matéria, agradeço mais uma vez a vista e pelo comentário.
Fique atento pois logo logo postarei nova matéria que falará sobre indivíduos imersos no triste quadro de "analfabetismo funcional".
Forte abraço.
Paulo Franco

2 de dezembro de 2007

Voce já vestiu seu personagem hoje?


Uma frenética necessidade de nunca crescer

Contos de fadas sempre fizeram parte do imaginário coletivo, mas nunca estiveram tão presente no dia a dia das pessoas. Enquanto algumas mulheres insistem no Complexo de Cinderela e os homens assimilam a Síndrome de Peter Pan, entre os gays surge uma noca vertente: A Sindrome de Hello Kit.

Pra começar: quem é Peter Pan? O personagem é um rapaz que se recusa a crescer e passa a vida tendo aventuras... A temática da história gira em torno do não crescimento de Peter, que quer ser criança para sempre, afim de evitar as responsabilidades da vida adulta. Não demorou para os psiquiatras batizarem um distúrbio como Síndrome de Peter Pan. O termo começou a ser adotado pelos especialistas para descrever um adulto que receia os comprometimentos e se recusa a agir conforme sua idade. Quem vive a realidade da síndrome, foge a qualquer adversidade, não tem capacidade de adaptação, não consegue se casar, e se conseguir, torna-se um péssimo pai ou mãe, chegando a abandonar os filhos, não aguentam transito, nem excesso de trabalho.

De acordo com o psicólogo americano Dan Kiley, autor do best seller "A Síndrome de Peter Pan e Dilema de Wendy", o problema surge quando a pessoa se recusa a crescer depois de um tempo e vive num mundo de conto de fadas, como se fosse uma eterna criança, fugindo de responsabilidades, querendo ser mais jovem do que realmente é e curtindo a vida, literalmente, numa boa."
A tal da síndrome realmente parece estar na moda, já que surge uma nova corrente que afirma que os gays já tem a sua. Só olharmos para o lado ou para os orkuts da vida e vemos tipinhos que agem esconendo se em torno de pseudônimos e agindo como adolescentes (sendo ou não), dedicam horas a academia, adiam o casamento, nunca param num emprego ou sequer trabalham e escondem a idade a sete chaves!", afirma a professora de ensino médio Eliana Nunes, que acredita que este mal acomete tanto a homens quanto a mulheres nos tempos de hoje.
Segundo a psicóloga Esther Villa existe uma grande falta de maturidade nessa turma que insiste em viver na Terra do Nunca.Cultuando ícones, transformando fantasias em realidade virtual, mesmo que nunca possa ser verdade.
"Estas pessoas são desequilibradas emocionalmente porque não aceitam aquilo que é real. Fingem ser reais e na verdade apenas omitem seus verdadeiros medos. Aqueles que sofrem da síndrome resistem para não se responsabilizar por atos e geralmente têm vínculos passageiros", afirma Esther. Mas será que este problema é predominantemente hetero? Para a psicóloga atinge na maioria, porém ela alerta para uma outra atitude comum entre os gays - "O problema dos gays está mais ligado à vaidade. Eles não querem envelhecer. Eles temem aparentar quem realmente são e ficam num culto ao corpo e beleza sem fim". E completa: "Podemos retardar um pouco o envelhecimento, mas não podemos fugir dele. É inevitável.
Esconder se num mundo fictício apenas deixa a pessoa mais vulnerável e sozinha. Quando ela se depara com outros que veem sua fragilidade, espurgam os do meio como um inimigo. A sindrome de Hello Kitt esta pra mostrar que gays e lésbicas embarcam num jogo perigoso, pois inibe a pessoa a um mundo de fantasia e sonho, que a impede de viver o real.
É comum encontrar aqueles que nunca conseguem um relacionamento estável, pois passado o tempo, seus personagens interagem na relação, causando conflitos sem fim. Parceiros e parceiras insatisfeitas batem asas. Resultado disso... novos personagens pra buscar novos e novas companias". Um círculo vicioso afirma a pesquisadora.
Se você não faz parte destas estatísticas, então atenção, porque o excesso de mimo com seu filho pode torná-lo um futuro Peter Pan. "Mães que superprotegem os filhos, mimam e os enchem de cuidados não os deixando ter preocupações e problemas estão criando sim futuras vítimas da síndrome de Peter Pan, conclui Esther.
Cuidado.

1 de dezembro de 2007

H.G.Wells



Herbert George Wells

(1866 - 1942)


Escritor Ingles mais conhecido como HG Wells é considerado o pai da ficção moderna. Suas óbras tratam de assuntos atualíssimos mesmo sendo um autor do inicio do século 20.Wells abordou temas incompreensíveis pra sua época como viagem no tempo, clonagem e corrrida espacial. Das óbras de H.G. Wells, as mais notáveis e certamente best sellers são:
A Máquina do Tempo (1895), A Ilha do Doutor Moreau (1896) e O Homem Invisível (1897) – notem, livros lançados com intervalo de um ano cada e ainda assim prodígios de imaginação e qualidade.Guerra dos Mundos, considerada por muitos sua obra máxima, é de 1898, e há uns dois ou três anos foi adaptada para o cinema por Steven Spielberg com Tom Cruise no elenco. Foi esse mesmo texto que, dramatizado pelo rádio por Orson Welles (não são parentes) para uma transmissão pela Rádio Mercury Theatre em 1938, provocou pânico em alguns desavisados moscões que ouviram a transmissão pela metade, sem o aviso inicial de que se tratava de uma encenação, e pensaram que a Terra estava realmente sendo invadida. Ah, sim, uma última curiosidade legada ao cinema: H.G. Wells foi vivido por Malcolm McDowell em um filme dos anos 1970 chamado Um Século em 43 Minutos, que usava o tema da Máquina do Tempo para transportar o próprio escritor ao tempo presente (o ano de 1979) para caçar um amigo que se revelara Jack, o Estripador. Destas óbras, todas tornaram se clássicos de Hollywood.
Das que mais gosto... bem..TODAS... mas vou trancrever as que acho mais fantásticas e atuais...Vamos lá...

A Ilha do Doutor Moreau - por H. G. Wells

uma crítica de Alexandre Beluco

publicada em 10.05.2002
republicada em 24.10.2003

A Ilha do Doutor Moreau foi escrita em 1896 por H.G. Wells, que é apontado como um dos pais da moderna ficção científica. A história é de uma atualidade atroz, na medida em que hoje em dia temas como clonagem ou manipulação genética circulam diariamente em jornais de todo o mundo. Entretanto, talvez o cerne da estória não esteja em questões tecnológicas, mas no próprio ser humano. A estória é contada por Edward Prendick que, depois de se ver náufrago, é resgatado por um passageiro renegado em um barco estranho. Esse passageiro, Montgomery, tem um amigo que não parece humano e traz uma carga bastante numerosa de animais. E Prendick se vê forçado a desembarcar quando Montgomery chega em seu objetivo, uma ilha perdida no oceano Pacífico.Na ilha, Prendick conhece o doutor Moreau, para quem Montgomery trabalha. Eles se isolaram do mundo para desenvolver um trabalho científico bastante duvidoso... recriar a forma humana a partir da remodelagem física de animais, um processo de vivissecção, e a partir da dor provocada trazer à tona a humanidade que fosse possível extrair dessas criaturas.Desse modo, desfilam pela ilha criaturas as mais diversas, como homens-porcos, homens-hienas, homens-cães e assim por diante. Alguns mostraram-se mais dóceis e, naturalmente, acompanham o mestre. Outros, foram deixados à sua própria sorte e vivem pela ilha em pequenos grupos, segundo uma lei ditada pelo próprio Moreau e na qual ele deve ser idolatrado como uma deidade.É claro que Prendick sentiu-se ameaçado, como também é claro que sua chegada provocou o início de uma rebelião entre os habitantes da ilha. Mas a catástrofe maior talvez tenha surgido pelo desejo de Moreau de se superar... Quando conseguiu fugir da ilha, Prendick não associou as experiências que viveu aos resultados dos experimentos de Moreau, mas aos potenciais negativos da humanidade. Tornou-se recluso e amante da ciência. Parece não ter deixado descendência.A estória mostra aspectos interessantes da natureza humana. De um lado, Moreau, que se isolou do mundo para dar vazão ao seu potencial criador e investigativo. E o fez com um ímpeto invejável. De outro lado, as suas criaturas, que mantêm suas características inatas pela doutrina rígida que devem seguir e que foi imposta por Moreau. Entre ambos, Montgomery e Prendick, um que largou tudo porque certamente se apaixonou pelas idéias que o intelecto de Moreau poderia tornar possíveis e o outro uma testemunha indesejável, esforçando-se por sobreviver.Em um primeiro momento a estória parece querer alertar para os possíveis problemas surgidos com a má condução de experimentos científicos. Mas a ênfase está centrada demais nas criaturas e em seu comportamento, parecendo querer mostrar como o homem pode ser mau e como é necessário uma mão firme para controlá-lo. Essa pode ser a causa da pequena repercussão dessa estória em comparação com outras da obra de Wells (como O Homem Invisível ou A Máquina do Tempo).No Brasil, são raras as versões integrais desta estória. Entretanto é comum versões recontadas fazerem parte de coleções para o público adolescente, como é o caso desta versão publicada pela Ediouro. Mas nenhuma edição parece dar respeito à estória sobre as loucuras de Moreau. Há alguns anos, quase como que em lembrança pelos seus cem anos, uma versão cinematográfica contou com a presença de Marlon Brando no papel de Doutor Moreau e incluía um romance entre Prendick e uma das criaturas da ilha.Mas tanto as versões recontadas quanto a versão cinematográfica parecem sofrer um esquecimento crônico. Como se essa história não merecesse ser lembrada. Talvez por lidar com imagens fortes, de homens-animais... ou talvez por trazer à tona questões realmente importantes, que exigem coragem e clareza de pensamento para serem abordadas. Enfim, a literatura mundial parece aguardar um desfecho para a estória das criaturas deixadas por Moreau em uma ilha do oceano Pacífico... será que elas, deixadas para viverem por si, retornaram mesmo à sua forma original? Será que elas não evoluíram para outra forma? Não haveria estrutura social que elas poderiam assumir e que fosse uma estrutura híbrida, intermediária entre as sociedades humanas e animais? Ou talvez aguarde uma nova versão, agora com um final feliz.

Nossos mundos em guerra - A Gerra dos mundos - por H.G.Wells

Durante toda a noite, os marcianos martelaram e trabalharam, alertas, infatigáveis, preparando suas máquinas. De quando em quando uma nuvem de fumaça branco-esverdeada subia em direção ao céu estrelado.Por volta das onze um destacamento de soldados chegou de Horsell e formou um cordão em torno do campo. Mais tarde, um segundo destacamento cruzou Chobham e se postou no lado norte do terreno. Vários oficiais do quartel de Inkerman já haviam patrulhado o campo horas antes, e um deles, o major Eden, estava desaparecido. O coronel do regimento foi à ponte de Chobham e interrogou a multidão à meia-noite. As autoridades militares certamente compreenderam a seriedade do que se passava. Por volta das onze, segundo relataram os jornais da manhã seguinte, um esquadrão de hussardos, duas Maxims e cerca de quatrocentos homens do regimento de Cardigan partiram de Aldershot. Segundos depois da meia-noite a multidão na estrada de Chertsey, em Woking, viu uma estrela descer do céu e cair na floresta de pinheiros a noroeste. Tinha uma cor esverdeada e causou um clarão silencioso semelhante a um relâmpago de verão. Era o segundo cilindro...

O trecho acima é do magistral Guerra dos Mundos, ficção científica escrita no século 19 (embora o estilo elegante e ao mesmo tempo delicioso do texto não denuncie nenhuma sensação de prosa datada)

24 de novembro de 2007

O fim do mundo também é aqui.


Nossas mulheres afegãs

Ando pelas livrarias e me assusto com a quantidade de títulos que remetem à vida de mulheres no longínquo e exótico Afeganistão e arredores. Todos os livros, sem exceção, descrevem suas vidas sufocantes, recheadas de inúmeras barbáries contra a vida e a liberdade individual feminina.
Fico a me perguntar por que tanto interesse dos brasileiros pelo tema, e a única resposta que me vem à telha é a de que somos, muitos de nós, voyeurs da desgraça alheia, desde que bem distante... Afinal, quanto mais longe, mais a tragédia se confunde com a ficção.
Somente isso explica por que ir tão longe se temos desgraças iguais ou piores diante de nossos narizes. Uma notícia neste feriado veio comprovar, mais ainda, que temos muito de Kabul em muitas regiões deste Brasil. A terrível história da menina de 15 anos de Abaetetuba, distante cidade do interior Pará, nos revela a face afegã que o Brasil tem e não admite. Ao arrepio de qualquer lei e de qualquer princípio moral e ético, a menina foi recolhida ao xadrez por haver praticado um furto. Não bastasse o desrespeito à sua idade, ela não só foi detida, como jogada numa cela com mais 20 homens. Precisa dizer o que aconteceu?
A tortura durou um mês, e a pena que ela pagou pelo delito cometido foi absurdamente desproporcional. Estuprada toda hora, todos os dias, sua pena chegou ao fim numa situação em que não é possível imaginar desenlace. O que ela viveu é um daqueles acontecimentos que jamais residirão no passado.
O cinismo com que as autoridades trataram o caso é que assusta e desanima: a garota teria acabado na prisão masculina pela inexistência de carceragem feminina; o superintendente da Polícia Civil garantiu não saber que a garota era menor de idade e, se ela tivesse dito, o procedimento teria sido outro. Tudo para depois surgir uma nova história de que a menina seria na verdade uma mulher de 20 anos e, além do mais, uma reles prostituta...
O desanimador é que no Pará o goiverno está em mãos femininas: a governadora petista Ana Júlia Carepa. Suas declarações foram tragicômicas: além de “chocada” com a notícia, ela fez questão de ressalvar seu Estado, dizendo que violação aos direitos humanos não é um problema apenas do Pará...
Como os milhares de escândalos a que assistimos diariamente, este terá o mesmo fim – o esquecimento sem qualquer punição. O que nos resta é descobrir e lamentar que temos muito pouco de civilidade para muito de Afeganistão.

Alexandre Pelege
Alexandre Pelege é comentarista do "Primeiro Programa" transmitido pela rádio Transamérica de São Paulo, diariamente de 6 ás 8 da manhã.
Este texto foi ao ar dia 22/11/07 e me fez refletir muito.
Assim o veiculo aqui pra lembrar sempre, que o fim do mundo também pode ser aqui.
Paulo Franco

>para conhecer mais...http://www.primeiroprograma.com.br

21 de novembro de 2007

Templários

TEMPLÁRIOS

As origens

Os templários - o nome completo é Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão - são filhotes das Cruzadas, o movimento que levou dezenas de milhares de europeus para lutar na Palestina e recolocar sob domínio cristão a terra onde Jesus nasceu e morreu. Para os que embarcaram na empreitada, enfrentar a morte em batalha por Cristo significava uma passagem de primeira classe para o paraíso. Organização e planejamento nunca foram o forte desses guerreiros: desconheciam a Palestina e cometeram muitas burradas. Mesmo assim, em 1099, entraram vitoriosos em Jerusalém. Em teoria, a Terra Santa agora era segura para os muitos peregrinos que vinham da Europa. Na prática, o que os primeiros cruzados conseguiram foi um punhado de cidades que permaneceram cercadas por um mar de muçulmanos.
A segurança dos peregrinos e dos comerciantes era um problema crônico. O devoto escandinavo Saewulf, que viajou para Jerusalém em 1102, conta que "os sarracenos [muçulmanos] estão sempre armando ciladas para os cristãos (...), à espreita dos que podem atacar por estarem em grupo pequeno ou daqueles que por cansaço ficam para trás. Ah, o número de corpos humanos que jazem, despedaçados por bestas selvagens..."
O perigo fez alguns nobres dar uma forcinha à defesa da Cidade Santa mesmo depois de conquistada. Um desses sujeitos era um cavaleiro do norte da França chamado Hugo de Payns, até então um ilustre desconhecido. Não se sabe exatamente quando nem por que Hugo foi parar em Jerusalém. Alguns relatos dizem que era viúvo e decidira se dedicar a Deus depois da morte da esposa. Outros historiadores falam de um massacre especialmente sangrento de peregrinos, que aconteceu na Páscoa de 1119 e levou o rei de Jerusalém, Balduíno 2o, a estimular a formação de uma milícia que protegesse os fiéis - chefiada por Hugo.
Seja como for, o fato é que, naquele mesmo ano, ele e outros 8 companheiros (a lista dos nomes ainda existe, e todos parecem ter vindo da nobreza da França) fizeram um juramento sagrado. Os votos eram exatamente os mesmos de qualquer monge do século 12 ou de hoje: pobreza, obediência e castidade. Mas a missão deles era surpreendente: assegurar, de espada na mão, que os peregrinos tivessem acesso sem medo aos lugares sagrados.
O rei Balduíno 2º lhes deu como residência parte do que ele julgava ser o Templo de Salomão - na verdade, era a Cúpula da Rocha e a mesquita Al-Aqsa, construídas pelos muçulmanos no lugar onde o templo havia existido na época de Jesus (veja mapa na página 55). Eis a origem do nome "templários" - o lugar ficou tão identificado com a ordem que muitos se referiam à ela como "o Templo".
É aqui que a usina de lendas sobre os templários começa a funcionar a todo vapor. Pouco se ouve falar das atividades deles, coisa que, na verdade, atrapalha bastante quem tenta entender como a ordem evoluiu nesse momento crucial. "Os documentos sobre essa fase da história deles são escassos. De 1120 até 1140, tudo é especulativo", diz Ellis "Skip" Knox, da Universidade Estadual de Boise, EUA.
Tanto é assim que os mais empolgados falam de uma escavação secreta no terreno do velho templo: Hugo e companhia teriam descoberto algum segredo dos primórdios da cristandade bem debaixo do seu quartel. Só alguns nobres de alto escalão teriam sido informados do "achado" e o acobertaram, em conluio com a ordem. O duro é saber que diabos era o tal segredo, porque cada teórico da conspiração tem seu artefato favorito. Alguns falam das relíquias sagradas do templo judaico; outros, do santo graal; há os que apostam na própria cabeça embalsamada de Jesus Cristo, provando que ele não tinha ressuscitado nem era divino. Os mais modestos sugerem que as ruínas do templo deram à ordem conhecimentos secretos sobre a natureza mística da arquitetura, como forma de criar espaços sagrados e de se comunicar com Deus. Essa sabedoria, depois, teria sido passada à maçonaria, que originalmente era uma confraria de mestres construtores.
Para a maioria dos historiadores, porém, o motivo do silêncio sobre a ordem nesses primeiros anos é bem menos empolgante: ela ainda não tinha a menor importância (bom, o que você esperava de 9 cavaleiros querendo brigar com todos os salteadores da Palestina?). Porém, pouco a pouco, a combinação da ajuda de patronos poderosos e uma boa dose de coragem em batalha começou lentamente a aumentar o poder templário. Em 1126, Hugo de Payns, então já conhecido pelo título de grão-mestre (chefe supremo) dos templários, viajou para o Ocidente para procurar recrutas e buscar apoio oficial da Igreja. E conseguiu atrair para o seu lado o monge francês Bernardo, abade de Clairvaux (canonizado como são Bernardo). O monge era provavelmente o intelectual mais influente da Europa, capaz de convencer papas e imperadores, e também um místico apaixonado. Em resumo: um trator. "O que Bernardo atacasse estava fadado ao fracasso; o que ele aprovasse florescia", diz Edward Burman, da Universidade de Leeds, Reino Unido, em seu livro Templários - Os Cavaleiros de Deus. Bernardo conseguiu a bênção oficial do papa para a ordem. Também elaborou para ela um conjunto de normas de conduta diária, indispensável para qualquer comunidade religiosa da época. Ainda havia gente dentro da Igreja que não era exatamente fã da idéia de monges matando em nome da fé. O futuro santo escreveu então uma carta em que justificava, com toda a elegância teológica, a guerra em defesa de Jesus. "O soldado de Cristo (...) é o instrumento de Deus para a punição dos malfeitores e para a defesa dos justos. Na verdade, quando ele mata malfeitores, não se trata de homicídio, mas de malicídio", afirmou Bernardo no Livro para os Soldados do Templo - Do Louvor do Novo Exército.
Completando o sucesso da missão de Hugo, nobres europeus de vários países fizeram doações de terras e rendas para os templários. A ordem virou uma instituição realmente internacional, e a única autoridade que realmente estava acima do grão-mestre era o papa.
Apogeu e declínio

"A partir de 1150, o progresso deles é claro", diz Knox. Para o historiador, a ordem tinha uma vantagem na bagunça que era a Terra Santa: ao contrário das grandes famílias de nobres, a morte individual de membros ou herdeiros era incapaz de destruí-la, e as batalhas vencidas não traziam reputação para um único membro, mas para toda a confraria. São vantagens, aliás, compartilhadas pelo outro grupo de monges-guerreiros da época, os hospitalários, com os quais os templários tinham de conviver na Palestina e no Ocidente. O grupo surgiu algumas décadas antes do Templo e seus propósitos iniciais eram, como o nome indica, dar assistência médica e espiritual aos peregrinos que chegavam a Jerusalém. Com o problema da insegurança, porém, ela passou a oferecer também outro serviço: escolta pelos caminhos da Palestina. De forma parecida com o Templo, foi ganhando controle de fortalezas e castelos. Não é à toa que as duas ordens tenham sido rivais e batido cabeça de vez em quando.
O dia-a-dia dos templários, a julgar pela regra da ordem, não era muito diferente do de qualquer outro monge. As normas eram duras. Havia dezenas de orações a serem pronunciadas diariamente, e datas semanais e anuais de abstinência de carne ou jejum total. Era proibido fazer a barba, caçar (leões eram permitidos), possuir mais de 3 cavalos (o grão-mestre podia ter 4) e, principalmente, ter qualquer contato com mulheres. A paranóia em relação ao sexo feminino é típica da Idade Média, mas a regra templária pega pesado. Eis o que diz: "A companhia de mulheres é uma coisa perigosa, pois por causa dela o velho Diabo tem desviado muitos do reto caminho do paraíso". E ainda especificava as mulheres que não se devia beijar: "Viúva, moça, mãe, irmã, tia ou outra qualquer".
Os dormitórios tinham de ficar sempre iluminados de dia ou de noite e era preciso dormir de calças e botas - supostamente para que os cavaleiros estivessem sempre prontos para sair na porrada. Mas esse detalhe também servia para impedir que eles, digamos, resolvessem contornar a falta de mulheres com aquele barbudo da cela ao lado. Em batalha, os templários eram sempre os primeiros a avançar e os últimos a recuar, e a ordem normalmente não pagava resgates caso um de seus homens fosse capturado. Na prática, isso significava quase sempre uma sentença de morte para o cavaleiro aprisionado. As punições para quem pisasse na bola eram severas: ser açoitado, posto a ferros ou obrigado a comer comida do chão, feito cachorro. Os detalhes da ordem não podiam ser comentados fora do mosteiro: ela gostava de manter segredo sobre seus planos, o que deu munição, mais tarde, para que seus inimigos afirmassem que ela praticava rituais sinistros ou imorais.
A prosperidade da ordem fez os templários se afastar da missão inicial: proteger os peregrinos. Ao lado dos hospitalários, os cavaleiros do Templo se tornaram a espinha dorsal do Exército do Reino de Jerusalém. No Ocidente, a ordem virou o protótipo dos bancos atuais, emprestando seus consideráveis bens a juros (leia quadro na página 51). A nova situação da ordem atraiu críticas. Muita gente começou a achar estranho que sujeitos auto-apelidados de "pobres cavaleiros de Cristo" fossem donos de cerca de 9 mil propriedades na Europa e na Palestina. Já os soberanos de Jerusalém, depois de perceber que precisavam negociar com os muçulmanos se quisessem permanecer na região, reclamavam da desobediência e da cabeça-dura dos templários. "Intolerantes? Com certeza, embora até os templários estivessem dispostos a lutar ao lado de muçulmanos se um perigo maior estivesse presente. Teimosos? Sim, e eram famosos por isso. Temerários? Bem, sim, mas muitos outros cavaleiros também o eram. As pessoas da época, inclusive os muçulmanos, chamavam isso de bravura", diz Knox.
O fato é que as supostas falhas de caráter dos templários não foram tão importantes enquanto o Reino de Jerusalém estava bem das pernas. A situação, porém, foi se alterando ao longo dos anos 1170, com a chegada ao poder do líder muçulmano Saladino. Ele conseguiu trazer para o seu controle tanto a Síria quanto o Egito, deixando as terras cruzadas, na prática, cercadas por um único império.
O estopim para a guerra total veio quando uma força liderada pelo filho de Saladino pediu permissão para atravessar pacificamente a Galiléia e o senhor da região, Raimundo de Trípoli, a concedeu. Mas o grão-mestre de então, Gérard de Ridefort, ao saber do fato, resolveu emboscar os islâmicos. Tanto o chefe dos hospitalários quanto o vice de Ridefort, marechal Jacques de Mailly, tentaram fazer com que ele desistisse, porque o Exército muçulmano era grande. Ridefort acusou a dupla de covardia e ainda cutucou Mailly: "Vós amais em demasia vossa cabeça loura para querer perdê-la". E partiu para o ataque com só 90 cavaleiros.
Se havia algum covarde ali, certamente não era Jacques de Mailly, que morreu lutando no mesmo dia. Já Ridefort tomou uma sova e fugiu, enquanto o furioso Saladino reunia sua força total para atacar o reino. A batalha decisiva varreu do mapa as forças cristãs. Saladino poupou o rei e o grão-mestre dos templários, mas não os demais monges-cavaleiros. Ao amanhecer, 230 cavaleiros do Templo foram decapitados. Em 2 de outubro de 1187, Saladino entrou triunfalmente em Jerusalém.
Não era o fim - ainda. Os cristãos mantiveram algumas possessões no litoral da Palestina e foram reconquistando o território, chegando até a retomar Jerusalém por um tempo. Ao longo do século 13, porém, as forças se tornaram dependentes da vinda constante de cruzados da Europa e da desorganização dos muçulmanos. O reino foi se tornando cada vez mais nanico e mudou sua capital para a cidade de Acre, onde recaiu o ataque decisivo muçulmano, em 1291. A bravura da ordem se revelou como nunca: o próprio grão-mestre, Guilherme de Beaujeu, morreu em combate. Quando os cristãos evacuaram a Terra Santa, a última fortaleza a resistir, por cerca de 12 anos, era templária e ficava na ilha de Ruad. No fim, porém, a única saída foi abandoná-la.

A queda

Um desastre como a perda da Terra Santa costuma ser a deixa para buscar um bode expiatório, e boa parte dos dedos da Europa se puseram a apontar para templários e hospitalários. A falta de obediência, a rivalidade entre elas e até uma suposta falta de coragem foram duramente criticadas, e muitos intelectuais e religiosos propunham que elas fossem fundidas, ou então dissolvidas para que se criasse uma nova ordem. Os templários, liderados por um novo grão-mestre, Jacques de Molay, resistiram a essas medidas. E, por algum tempo, o papado ficou do lado deles, ajudando mesmo a arrecadar novos fundos para combates no Oriente.
Na época, a França era o reino mais poderoso da Europa, e seu soberano, Filipe, o Belo, tinha seus próprios planos para o papado e os templários. Sua influência sobre a Igreja levou à eleição de um francês, Clemente 5o, como papa em 1305. Clemente nem chegou a ir para Roma, passando toda a sua carreira na França. Logo ficou claro que Filipe exercia pressão para garantir seus interesses.
Um dos projetos do rei era unir as ordens, de preferência transformando a si mesmo em grão-mestre, e assim liderar uma nova cruzada para retomar Jerusalém. O plano não foi em frente e Filipe decidiu tomar medidas drásticas: em 1307, ordenou secretamente a prisão de todos os 15 mil templários da França. As razões exatas para que resolvesse acabar com o Templo não são muito claras, mas tudo indica que ele desejava tomar posse das consideráveis propriedades dele e talvez visse as derrotas na Terra Santa como uma deixa propícia para atacar.
O próprio Jacques de Molay foi preso dias depois de ajudar a carregar o caixão da cunhada do rei. Para se ter uma idéia da ingenuidade do chefe templário, ele tinha pedido ao papa, no mesmo ano, que investigasse alguns boatos caluniosos contra os templários - pelo jeito, já era a campanha difamatória de Filipe em ação. A acusação oficial era previsível: heresia. Crimes "horríveis de contemplar, terríveis de ouvir, uma obra abominável, uma desgraça detestável, uma coisa quase inumana, na verdade desprezada por toda a humanidade", diz a ordem de prisão.
A linguagem deixa claro que tudo não passava de perseguição política. Era uma receita prática para se livrar de gente incômoda. Tanto é assim que as acusações - renegar Cristo e cuspir em imagens dele, praticar sodomia ritual e adorar um misterioso ídolo de 3 cabeças ou com forma de gato ou bode chamado Baphomet - aparecem, com poucas mudanças, em todos os outros processos contra heréticos da época. Quase nenhum historiador vê traços de verdade nessas histórias. Há quem suponha que o tal Baphomet fosse, na verdade, a relíquia de algum santo, ou que a negação de Cristo fosse parte de técnicas templárias para escapar com vida das prisões muçulmanas fingindo ter se convertido, mas a história da ordem não parece apoiar essas especulações.
O fato é que até o papa Clemente 5º criticou as prisões arbitrárias. Um processo papal foi instalado para averiguar as acusações - muitos templários confessaram sua culpa induzidos por tortura e depois voltaram atrás diante dos enviados de Clemente. A idéia foi corajosa, mas resultou na morte de 54 membros da ordem: segundo as regras da Inquisição, hereges confessos que voltassem atrás deveriam ser imediatamente executados. Jacques de Molay, que era analfabeto e pelo visto não muito inteligente, disse que não tinha estudo suficiente para servir de advogado da ordem. Ficou à espera de que o papa o salvasse.
A investigação papal em toda a Europa achou pouquíssimas provas de heresia. Mas a pressão de Filipe continuava, e Clemente 5o acabou concordando com a dissolução da ordem em 1311. O rei conseguiu alguns bens dos templários, mas de forma clandestina: a decisão do papa foi legá-los aos hospitalários, enquanto os ex-cavaleiros entravam para mosteiros de outras ordens ou se tornavam mercenários. Mesmo extintos, os templários ainda dariam origem a mais uma lenda: a de que a perseguição apenas fez os membros mais importantes sair de cena e continuar a promover seus interesses místicos em segredo. Para isso, teriam se ligado ao Priorado de Sião, uma ordem que permaneceria até hoje e que teria tido, entre seus líderes, o pintor Leonardo Da Vinci e o físico Isaac Newton. O grupo guardaria os principais segredos da origem do cristianismo, como o graal e a linhagem de supostos descendentes de Jesus e Maria Madalena. A história, divulgada em livros como O Código Da Vinci, é uma das principais responsáveis pelo renascimento do interesse nos templários. O problema é que documentos que provem a existência do Priorado de Sião são raríssimos, e os que o ligam aos templários, inexistentes. Para os pesquisadores sérios, nada disso faz sentido.
O fim dos templários, no entanto, não foi desprovido de mistério. Na cadeia, Jacques de Molay e seu companheiro Geoffroy de Charney tiveram um último gesto de coragem: renegaram sua confissão de heresia. E, numa pequena ilha do rio Sena, os dois pereceram na fogueira em 1314. Reza a lenda que Jacques de Molay convocou o rei e o papa a comparecer diante do tribunal de Deus antes que o ano terminasse. Pelo visto, praga de templário pega: Filipe, o Belo, e Clemente 5o morreram antes que 1314 findasse.

Os homens do dinheiro

Nos primórdios dos bancos europeus - quando a expressão "fazer um depósito" significava literalmente depositar metais preciosos, cereais ou até escravos numa instalação segura para que eles fossem guardados -, os templários desempenhavam papel fundamental para a economia do Ocidente e da Terra Santa. É difícil saber exatamente como eles acabaram abraçando esse negócio, embora a própria natureza da ordem favorecesse esse caminho, de certa forma.
"Assim como aconteceu em outras épocas em cidades como Veneza e Gênova, estar dividido entre dois centros econômicos parece levar de forma bastante natural à necessidade de desenvolver mecanismos para transferir grandes quantidades de dinheiro entre um lugar e outro", diz Ellis "Skip" Knox, da Universidade de Boise, EUA.
Os serviços oferecidos pela ordem eram variados e, segundo a reputação deles na época, confiáveis. Um nobre que fizesse uma doação em dinheiro ou terra para os templários podia estipular, por exemplo, que a quantia ou o imóvel devia ser utilizado para prover o sustento de sua esposa e filhos quando ele morresse. Quem depositasse bens numa casa templária do Ocidente e rumasse para a Terra Santa tinha o direito de retirar quantias equivalentes quando chegasse lá. E, por quase sempre dispor de somas substanciais de dinheiro vivo, a ordem estava em posição privilegiada para realizar empréstimos, criando uma clientela fiel entre a alta nobreza e o clero. Um detalhe interessante é que os empréstimos, claro, eram feitos a juros - prática condenada oficialmente pela Igreja da época.

Padre templário

Os membros combatentes da ordem, apesar de sua formação de monge, eram quase sempre analfabetos e com pouco conhecimento de teologia ou das escrituras. Por isso, as missas, confissões e outras cerimônias religiosas eram presididas por padres que viviam nos estabelecimentos templários.
CavaleiroQuase sempre de origem nobre, era o membro da ordem por excelência: tanto um guerreiro experiente, treinado para combater a cavalo com armadura pesada, quanto um monge ordenado, com votos de pobreza, obediência e castidade. Usava um manto branco com a cruz vermelha. Dificilmente correspondiam a mais de 10% dos membros.
SoldadoOs templários também recrutavam soldados leigos, que não eram monges e, na Terra Santa, podiam ser até cristãos de origem síria. Usavam mantos e seus oficiais eram chamados de sargentos. Nenhum deles era obrigado a seguir os votos dos cavaleiros e alguns eram até casados. Havia também irmãos leigos que realizavam tarefas domésticas.
CavaleiroOs membros da outra ordem militar-religiosa da Palestina levavam vida dupla, ao contrário dos templários: dedicavam-se tanto a alojar doentes e peregrinos no Hospital de São João de Jerusalém (daí o nome) quanto a combater os infiéis como cavaleiros. A ordem mudou sua sede para Rodes e depois para Malta, durando até o começo do século 19.

A Arca, o Graal e tudo mais

"Todo louco mais cedo ou mais tarde acaba vindo com essa dos templários. Há também loucos sem templários, mas os de templários são mais traiçoeiros", diz um dos personagens do romance O Pêndulo de Foucault, de Umberto Eco. Tantas besteiras foram escritas sobre esses cavaleiros nos últimos 250 anos que quase se tem a impressão de que toda conspiração precisa de alguma forma envolver a ordem.
A maçonaria, por exemplo, teria se originado de mestres pedreiros que aprenderam com os templários as técnicas secretas que guiaram a construção do Templo de Salomão. (Parece que ninguém prestou atenção no fato de que o templo estava destruído fazia mais de 1 000 anos quando o primeiro templário pôs os pés na Terra Santa.)
Os supostos rituais heréticos em torno de Baphomet seriam, na verdade, a adoração da cabeça embalsamada de Jesus Cristo. A lista não tem fim, mas até onde os historiadores puderam pesquisar, não há um só fiapo de evidência confiável nessas teorias.
Mas por que justamente os templários foram despertar tantas lendas? "Um dos fatores que deve ter estimulado é a paixão dos escritores românticos do século 19 por coisas medievais, pois os mitos, na verdade, se originaram nessa época. Outro é a falta de fontes sobre os anos iniciais dos templários. Isso dá aos criadores de lendas muito espaço para trabalhar", afirma Knox. O fim da ordem também não ajudou: várias das acusações falsas feitas a eles por Filipe, o Belo, acabaram reforçando a idéia de que os cavaleiros seguiam algum tipo de culto místico pré-cristão. E a lenda permanece até hoje.

Para o além-mar

A perseguição não atingiu da mesma maneira os templários de toda a Europa. Fora da França, a tortura foi menos usada para extrair confissões dos cavaleiros. Por isso, pode-se supor que foi com a honra intacta que alguns deles ingressaram na nova ordem criada por dom Dinis, rei de Portugal, em 1318: a Ordem de Cristo.
Na verdade, não há consenso entre os historiadores sobre a composição da nova confraria: para alguns, os templários portugueses (presentes no país desde os tempos de Hugo de Payns) teriam trocado de nome. De qualquer maneira, a Ordem de Cristo herdou todas as propriedades e fortalezas de sua antecessora, assim como os votos de pobreza, castidade e obediência (ao rei de Portugal, que claramente não era bobo).
Ao longo do século seguinte, os consideráveis recursos militares e econômicos da ordem, que passou a ser comandada pelo infante (príncipe) dom Henrique, foram direcionados para a expansão marítima portuguesa, que estava ganhando impulso. A Ordem de Cristo ganharia soberania sobre os territórios que conquistasse na África, bem como direito a 5% do valor das mercadorias vindas da região.
Novas mudanças liberaram os cavaleiros de seuvoto de castidade e pobreza, permitindo que navegadores como Pedro Álvares Cabral e Vasco da Gama se tornassem membros da Ordem de Cristo.
Os navios que aportaram no Brasil pela primeira vez traziam em suas velas o emblema da confraria, aparentemente uma versão modificada da antiga cruz templária.


PARA SABER MAIS
Os Templários, Piers Paul Read, Imago, 2000
Templários - Os Cavaleiros de Deus, Edward Burman, Nova Era, 1997
Os Cavaleiros de Cristo, Alain Demurger, Jorge Zahar, 2002
História Ilustrada das Cruzadas, W.B. Bartlett, Ediouro, 2003
Carta de São Bernardo ao Fundador dos Templários,
faculty.smu.edu/bwheeler/chivalry/bernard.html







...entre estações e trens...



Naquela Estação
João Donato/Caetano Veloso/Ronaldo Bastos


Você entrou no trem
eu na estação
vendo um céu fugir...
Também não dava mais para tentar lhe convencer a não partir...
E agora... tudo bem...
Você partiu,
para ver outras paisagens
e o meu coração embora finja fazer mil viagens fica batendo parado naquela estação...

foto: Paulo Franco



"..pra lembrar de ti...



...por onde andam aqueles dias...
Tudo bem que não deu certo...
...até achei que chegamos bem perto...
Por onde ficaram os planos... em que estação deixei escapar...
...lembro me dos dias de despedida...das noites nas estações da vida...... ...achei que chegamos bem perto...
...o choro... a vontade de não me deixar ir...
Não vou deixar de lembrar de ti... valeu a pena.
Sim.



Paulo Franco
20/11/2007






Você Vai Lembrar De Mim
Nunhum De Nós



Quando eu te vejo,espero teu beijo
Não sinto vergonha
Apenas desejo
Minha boca encosta em tua boca
que treme meus olhos
eu fecho
Mas os teus estão abertos
Tudo bem se não deu certo
Eu achei que nós chegamos tão perto
Mas agora
com certeza eu enxergo
Que no fim eu amei por nós dois
Esse foi um beijo de despedida
Que se dá uma vez só na vida
foto: Paulo franco Que explica tudo sem brigas
E clareia o mais escuro dos dias
Tudo bem se não deu certo
Eu achei que nós chegamos tão perto
Mas agora - com certeza eu enxergo
Que o nosso amor valeu a pena
Lembrar é o nosso final feliz
você vai lembrar...vai lembrar...sim...você vai lembrar de mim
Fotos: álbum particular/Paulo Franco.
Textos: "Naquela estação" - João Donato/Caetano Veloso/Ronaldo Bastos 1989. - "Pra lembrar de ti! - Paulo Franco 2007 - "Você vai lembrar de mim" - Nenhum de Nós" 1990

18 de novembro de 2007

Um mito feito santo....

São Jorge da Capadócia.



São Jorge nasceu na Capadócia no ano de 280. No final do século III, o cristão Jorge trocou a Capadócia, na Turquia, pela Palestina, vindo a ingressar no exército de Diocleciano.Jorge logo se destacou, sendo elevado a conde e depois a tribuno militar. Tudo ia bem, até que as perseguições aos seguidores de Cristo reiniciaram. O rapaz não quis negar sua fé, fazendo com que Diocleciano se sentisse traído. O imperador, então, condenou-o às mais terríveis torturas. E Jorge consegiu vencer a todas elas. Suportando uma dor atrás da outra, o filho da Capadócia suportou as lanças dos soldados, permaneceu firme sob o peso de uma imensa pedra, obteve a cicatrização imediata das navalhadas que recebeu e resistiu ao calor de uma fornalha de cal. A cada vitória sobre as torturas, Jorge ia convertendo mais e mais soldados. O imperador, contrariado, chamou um mago para acabar com a força de Jorge. O santo tomou duas poções e, mesmo assim, manteve-se firme e vivo. O feiticeiro juntou-se à lista dos convertidos, assim como a própria esposa do imperador. Estas duas últimas "traições" levaram Diocleciano a mandar degolar o ex-soldado em 23 de abril de 303.
Diz a lenda que Jorge, guerreiro teria salvo uma princesa das garras de um terrível dragão. Jorge, com sua espada, domou o dragão, que a princesa conduziu de volta a seu povoado como um manso cordeirinho. O misterioso cavaleiro disse ter vindo em nome de Cristo e que todos deveriam se converter. Embora Jorge não seja mais considerado santo pela Igreja católica, seu culto é autorizado pela tradição.


São Jorge é o padroeiro da Inglaterra

O "Santo Guerreiro" é também o padroeiro da Inglaterra, de Portugal, da Lituânia e da Catalunha (região da Espanha que reivindica identidade nacional, onde se localiza Barcelona). Não há consenso, porém, a respeito da maneira como teria se tornado patrono da Inglaterra. Seu nome era conhecido na Inglaterra e na Irlanda muito antes da conquista normanda, o que leva a crer que os soldados que retornavam das Cruzadas influíram bastante na disseminação de sua popularidade. Acredita-se que o santo tenha sido escolhido o padroeiro do reino quando o rei Eduardo III fundou a Ordem dos Cavaleiros de São Jorge, em 1348. Em 1415, a data de sua comemoração tornou-se um dos feriados mais importantes do país. Em 1970, a festa anual do santo nas igrejas católicas foi tornada opcional, com a reforma do papa Paulo VI. Entretanto, na Inglaterra e em outros lugares onde São Jorge é especialmente venerado, tal festa guarda ainda toda a sua antiga solenidade. Os ingleses acabaram por adotar São Jorge como padroeiro do país.

A imagem de todos conhecida, do cavaleiro que luta contra o dragão, foi difundida na Idade Média. Está relacionada às diversas lendas criadas a seu respeito e contada de várias maneiras em suas muitas paixões. Iconograficamente, São Jorge é representado como um jovem imberbe, de armadura, tanto em pé como em um cavalo branco com uma cruz vermelha. Com a reforma do calendário litúrgico, realizada pelo papa Paulo VI, em maio de 1969, tornou-se opcional a observância do seu dia festivo. Embora muitos ainda suspeitem da veracidade de sua história, a Igreja Católica reconhece a autenticidade do culto ao santo. O culto do santo chegou ao Brasil com os portugueses. Em 1387, Dom João I já decretara a obrigatoriedade de sua imagem nas procissões de Corpus Christi. O Sport Clube Corinthians Paulista foi outra grande contribuição para a popularização de São Jorge, primeiro no Estado de São Paulo e depois no País, ao escolher o santo como seu padroeiro e protetor, em 1910.
A quantidade de milagres atribuídos a São Jorge é imensa. Segundo a tradição, ele defende e favorece a todos os que a ele recorrem com fé e devoção, vencendo batalhas e demandas, questões complicadas, perseguições, injustiças, disputas e desentendimentos.


Oração a São Jorge!




Eu estou vestido e armado com as roupas e as armas de São Jorge, para que os meus inimigos tenham pés e não me alcancem, tenham mãos e não me toquem, tenham olhos e não me vejam, e nem mesmo em pensamento eles possam me fazer mal. Armas de fogo o meu corpo não alcançarão.Facas e espadas, se quebrem sem o meu corpo tocar.Cordas e correntes, arrebentem sem o meu corpo amarrar. Amém


Salve Jorge!

17 de novembro de 2007

... motivos pra sorrir um pouco menos!


Ausência
(Carlos Drummond de Andrade)

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.


FIM